Na madrugada de sábado, dia 3 de setembro, ao tentar atracar no estaleiro ENAVI/RENAVE, na Ilha da Conceição, o navio Saga Mascot, das Bahamas, colidiu com um dique, fez duas perfurações no casco e causou um vazamento de óleo que atingiu várias praias da Baía de Guanabara.
A princípio, acreditava-se que a quantidade de óleo derramado era de cerca de 2 mil litros, mas, segundo perícia do Ibama, o vazamento foi sete vezes maior: vazaram 14.100 litros dos tanques do navio. A mancha de óleo se espalhou rápido, atingiu as praias de Boa Viagem, Flechas e Icaraí e chegou também a Jurujuba e a algumas praias da região oceânica. O óleo contaminou a água, matando a micro fauna, e se espalhou pela areia, costões e as pedras - onde vivem os mexilhões, afetando diretamente a vida de centenas de pessoas que sobrevivem da pesca e da coleta de mariscos.
Segundo Heleno Joaquim do Nascimento, secretário da Associação Livre de Maricultores de Jurujuba (ALMARJ), aproximadamente 140 famílias da comunidade garantem sua subsistência com a coleta dos mexilhões. Ainda que algumas pessoas digam que a mancha de óleo não afetou as praias de Jurujuba, a produção e as vendas foram reduzidas, pois muita gente deixou de consumir mariscos com medo da contaminação. Wanderley dos Santos, maricultor de Jurujuba, afirmou: "aqui chegou pouco óleo, mas chegou. O pessoal tá se virando como pode, arrancando nas Ilhas Duas Irmãs, nas praias oceânicas, lá fora. Nessa época o marisco tá muito pequeno, tô pegando de 6 a 10 quilos no sufoco. Trabalhando com a plantação, uma semana sim, uma semana não, senão não dá".
A atividade marisqueira foi proibida pelo Ibama. O vazamento de óleo coincidiu com o período de defeso do mexilhão, que vai de primeiro de setembro ao final de novembro, fase de reprodução e crescimento do molusco. No entanto, a coincidência não afeta os direitos dos maricultores, que devem lutar para receber tanto a indenização pela paralisação das atividades em função do vazamento, quanto pelo período de defeso.
A empresa responsável pelo Saga Mascot foi multada em 32 milhões de reais, que deverão ser usados para reparar os danos causados pelo vazamento. Mas será que esse dinheiro chegará em nossas mãos? "Quem vai pagar o pato?"
Críntia Martins, Leonardo Bernardes, Raphael Antunes e Taís de Oliveira
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